Fiz recentemente um congresso on line com objetivo de rever, atualizar, buscar novas ideias e energias, nem sempre quem está motivando, está motivado, A "Imersão On-line" de Tony Robbins, frequentemente associada ao seu evento principal Unleash the Power Within (UPW) - Liberte o Poder Interior, é uma experiência intensiva projetada para transformação pessoal, mentalidade e alta performance. Confesso que nunca havia participado, mas, já consumi livros, palestras e cursos de Tony Robbins, ele ficou milionário com estes cursos.
Nos últimos anos, minha carreira enfrentou diversas turbulências, desde a pandemia, o pós pandemia que por mais um ano restringiu eventos públicos, os novos personagens e novos "processos" que batem de frente em muitos aspectos com os palestrantes tradicionais, enfim, achei que esta imersão seria um salto, e foi!
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Inicialmente não estava procurando motivação, mas redirecionamento ou mesmo energização do processo que já trabalho, estava confiante em conseguir boas ideias, direções inovadoras, um reconhecimento mais aprofundado do neuromercado, sem hype, motivação no grito, oba oba, mas algo palpável, mostrado com estrondos, tudo bem, mas que fizesse sentido.
E aí está uma parte do problema, não somente no trabalho de Robbins mas na grande massa de novos protagonistas das palestras, "nada, absolutamente nada é prático" bem no molde oratória de impacto, palavras e frases de efeito contendo afirmações genéricas e aplicáveis a qualquer pessoa ou situação de vida, basta estar aberto para pegar para si e fazer sua grande descoberta.
O que há de tão grande nesse problema? O que ainda não está perfeito? O que estou disposto a fazer? Estas são boas perguntas mas dependendo do estágio em que se está, elas são muito mais para serem desprezadas, quem já está ligado na solução não retem quase nada desse tipo de questionamento.
Toda a estrutura assume que as pessoas estão presas porque não estão cientes, não estão motivadas ou não acreditam o suficiente em si mesmas. Isso pode ser verdade para algumas pessoas. Mas para muitos de nós, o problema não é mentalidade, é realidade. Trocas. Limitações. Risco. Informações faltando. Condições externas que não controlamos.
Às vezes, as coisas não estão quebradas porque você está pensando errado. Às vezes, as coisas estão quebradas porque o ambiente está quebrado., sua saúde mental está quebrada, seus últimos movimentos não surtiram efeitos, sua origem familiar gerou um comportamento de medo, hesitação, dúvidas, e aí? É possível fazer algo? Sim, mas bem além de uma experiência emocional.
Você pode fazer tudo “certo.” Acreditar em si mesmo. Manter uma atitude positiva. Visualizar o sucesso. E isso ainda não muda o fato de que, às vezes, não importa o quanto você se esforce. Você pode ser disciplinado, proativo e persistente e ainda assim estar preso.
O dinheiro é uma parte enorme disso que esses seminários simplesmente ignoram.
É muito difícil ou quase impossível ter sucesso (no conceito da sociedade atual) sem dinheiro. As contas não param. O aluguel não pausa. Os salários não acompanham o custo de vida. Você não tem o luxo de “arriscar de forma ousada” ou “seguir sua paixão” quando está apenas tentando sobreviver. A falta de dinheiro não é uma questão de mentalidade, é uma limitação material. E fingir o contrário é completamente desconectado da realidade.
Enquanto não entender os diversos processos de "sucesso" este será medido apenas pelos resultados financeiros, esta é a base para se medir sucesso e fracasso nesse modelo de imersão, motivação, coaching ou seja lá o que for. Você é o que você tem! É simples assim, e, o sucesso está sempre no próximo passo.
O seminário se apoia muito em hype emocional, energia da multidão e exercícios de visualização. Muitas coisas do tipo “feche os olhos, sinta a mudança.” Parecia menos uma orientação e mais um retiro de ioga cheio de energia misturado com um comício motivacional.
Se isso funciona para você, beleza. De verdade. Eu consigo ver como alguém que precisa de ativação emocional ou permissão para acreditar em si mesmo pode tirar algo disso.
Mas se você já é autoconsciente e está ativamente tentando resolver problemas concretos, isso parece vazio e, honestamente, meio insultante. Como se você estivesse sendo convidado a projetar significado em estruturas vagas e depois creditar a estrutura pelas percepções que você mesmo gerou.
O que mais me incomodou é que o ônus está totalmente em quem participa. Se não ajuda, a implicação é que você não aplicou direito ou não estava aberto o suficiente. Isso não é orientação, é um sistema que não pode falhar.
Eu fiz este seminário em busca de ferramentas. Para análise. Para ajuda na elaboração de decisões e planejamentos reais, riscos reais e pressão financeira real. Nada disso apareceu. Apenas tentativas de me demonstrar o quanto sou fraco, deficiente e incompetente na minha estrutura emocional.
Na verdade acabei descobrindo que meu realismo, pés no chão, caminhos simples, resiliência, visão bem humorada da vida, auto aceitação, tempos de chorar e tempos de dar risada, são o melhor que estou tendo, e, não preciso mudar uma vírgula, nem para mim e nem para o meu público, acostumados a serem vencedores de verdade.
Frustrante seminário e as palestras no mesmo molde, como isso ilude e angustia as pessoas, a descoberta de que não sou "o suficiente."
É isso que os modernos coaches, palestrantes, gurus, mentores e guias estão oferecendo em forma de motivação e ativação do nosso "potencial" essencial para o sucesso (leia-se, dinheiro). Nada além disso.
Esta não é minha linha, posso ajudar equipes a vender mais, ambientes se tornarem mais produtivos e saudáveis, empresas acharem o rumo do sucesso financeiro, funcionários se engajarem nos projetos, enfim, tudo isso que define um ambiente de competição e necessidade de performance, sem, no entanto, destruir a essência das pessoas, mas mostrar que as possibilidades dependem de nossa vontade, esforço e desejo de aprender e fazer melhor.
Múcio Morais - Palestrante Motivacional
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