UMA FÓRMULA ESCOLHIDA POR MUITOS!
Clichês são ideias, já muito
batidas, são fórmulas muito repetidas de pensar, falar ou escrever são chavões e
que em muitas situações mantêm as pessoas na mediocridade, mesmice, lugar-comum,
estabelecendo uma comunicação baseada em chavão, bordão, estereótipo,
estribilho, trivialidade, vulgaridade, banalidade. Assim, o clichê é baseado na
repetição, na imitação e algumas vezes na falta de originalidade e se torna uma
fórmula de comunicar.
Os Ditados seguem a mesma linha,
porém, são mais aprofundados, conhecidos como ditado popular, provérbio ou
ainda adágio, é uma frase do popular, como um texto mínimo de autor
desconhecido que é várias vezes repetido e se baseia no senso comum de um
determinado meio cultural, como por exemplo:
§ Antes ele do que eu!
§ Em briga de marido e mulher não se mete a colher!
§ Quando um burro fala o outro abaixa a orelha!
§ A César o que é de César, a Deus o que é de Deus.
§ Água mole, pedra dura, tanto bate até que fura.
§ A pressa é a inimiga da perfeição.
§ À noite todos os gatos são pardos
§ A parede tem ouvidos
§ As aparências enganam.
§ Antes só do que mal acompanhado.
§ Casa de ferreiro, espeto de pau.
§ Cavalo dado não se olha os dentes.
§ Camarão que dorme a onda leva.
§ Cada macaco no seu galho.
§ Cão que ladra não morde.
§ Caiu na rede, é peixe.
§ Canguru corre, mas não atropela.
§ Deus escreve certo por linhas tortas.
§ Deus ajuda quem cedo madruga
§ De grão em grão a galinha enche o papo.
§ Dois coelhos com uma cajadada só.
§ É dando que se recebe.
§ Filho de peixe, peixinho é.
§ Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão
§ Mente vazia, oficina do diabo.
§ Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.
§ Mentira tem perna curta.
§ O barato sai caro.
§ Onde há fumaça há fogo.
§ O que os olhos não veem, o coração não sente.
§ O seguro morreu de velho
§ Papagaio que acompanha joão-de-barro vira ajudante de pedreiro
§ Para bom entendedor, meia palavra basta.
§ Pimenta nos olhos dos outros é refresco.
§ Quando um burro fala, o outro abaixa a orelha.
§ Quem com ferro fere, com ferro será ferido.
§ Quem pode, pode; quem não pode, se sacode.
§ Quem ri por último ri melhor.
§ Quem semeia vento, colhe tempestade.
§ Saco vazio não para em pé.
§ Se chove em Florença, rume a Roma.
§ Um dia é da caça, outro do caçador.
§ Um tiro para o lado, dois pulos para frente.
§ Bater palma, tocando a campainha.
§ Não existe rosa sem espinhos
§ E muitos outros.
Um lugar-comum que é reproduzido diversas vezes. Vai um Ditado ou um Clichê ai? Prático, nos sabores mais apreciados, e só exige um pouco de preguiça mental aliada a um estado de conformidade.
Ditados tornam-se expressões
comuns e se mantêm imutáveis através dos anos, constituindo uma parte
importante de cada cultura.
É como um macarrão instantâneo,
você só precisa abrir a embalagem, colocar em um pouco de agua fervente, e, em
dois minutos acrescente o tempero e pronto, o macarrão com o sabor que você
quiser está prontinho para ser consumido, e, quem pode dizer que não é bom?
Desta maneira vive uma parte
significativa da humanidade na sua maneira de se relacionar com a vida, tudo
instantâneo, pensamentos, avaliações, razões para fazer ou não, e, até mesmo a
definição antecipada do sentimento que se deve ter em cada momento da vida já
devidamente embalado e com instruções de uso.
No positivo, temos muitas destas
fórmulas carregadas de sabedoria e verdades, nem tudo está perdido no mundo das
ideias prontas, gosto particularmente de alguns como:
- Em terra de cego, quem tem um olho é rei
- Em terra de saci qualquer chute é voadora.
- Quem canta seus males espanta.
- Quem mistura-se com porcos, farelo come.
- Quem não tem cão, caça como gato.
Acho estes ditados o máximo. Fazem
parte de minhas crenças pessoais, me ajudam a não me limitar por perceber
qualquer deficiência em mim mesmo. Também me ajuda a manter um nível de
excelência no que faço. Enfim, sabendo pensar sobre estas pérolas podemos
seprar o joio do trigo e abraçar aquilo que faz sentido.
Hoje estava
pedindo indicações de uma amiga para locar um apartamento, ela tem um bom
conhecimento na área, passei as informações do que eu pretendo e logo escutei
dois ditados /clichês sobre o tema “locação”, a saber: Aluguel dorme com a
gente, neh? (Significado de neh: Palavra do mineirez que substitui a expressão:
Não é mesmo?) e, “o dinheiro do aluguel nunca volta, é dinheiro jogado fora”
nas duas expressões uma tentativa de estabelecer verdades absolutas sobre o
tema, porém, podem ser verdades para algumas pessoas, mas certamente não é para
todos, inclusive para mim.
Quanto ao
primeiro Clichê, acho o pagamento do aluguel tão natural quanto de qualquer
outra conta, poderia dizer que “as contas” dormem comigo, porque somente é um
privilégio do aluguel?
O segundo
Clichê trouxe uma projeção de verdade tão absurda quanto fantasiosa: O dinheiro
do aluguel nunca volta, é dinheiro jogado fora! E o que você diria do dinheiro das
prestações do seu carro? Volta? Depois de alguns anos você percebe que perdeu
dinheiro com a desvalorização do veículo, além disso tem impostos, multas,
manutenções, taxas, combustível, estacionamento, etc. Seu dinheiro usado em um
veículo, também não volta. Na verdade poucos valores voltam, e o que dizer da
alimentação, pra onde vai seu dinheiro ao final do ciclo? Para o esgoto! Enfim,
maneiras infrutíferas de pensar e se comunicar se não houver uma reflexão da
realidade.
Cuidado, a
alienação mental é confortável, comunicar-se e viver desta forma é uma maneira
de manter-se na zona de conforto, evitar conflitos e maiores enfrentamentos, é
como votar com a maioria, a responsabilidade é diluída e a multidão “de
pensadores” garante o anonimato. Mas, como disse Glauber Rocha, toda
unanimidade é burra! E a burrice coletiva é uma das características dos
clichês.
Os Clichês e
Ditados aos poucos se transformam em crenças, inicialmente quem agrega um
clichê o faz por sentir-se confortável e não exigir maiores reflexões, mas aos
poucos, por repetição e resultados vamos transformando os clichês em crenças,
convicções sem hastes e estes passam a nos sabotar criando um conjunto de
crenças e valores com base em análise e pensamentos “zero”.
Vamos, além da
básica análise feita acima, pensar em alguns clichês e no que realmente eles
estão dizendo para nós mesmos.
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: Em briga de marido e mulher não se mete a colher!
ANÁLISE: Será isso mesmo? Perceber a violência em uma família e simplesmente se omitir? Não se envolver a favor do mais fraco ou oprimido? Isso parece insano. Desumano. Inimaginável para quem se abastece diariamente de uma gota mínima de amor ao próximo. Um clichê deste não sobreviveria em uma sociedade de fato Cristã.
COMUNICAÇÃO: Para bom entendedor meia palavra basta!
ANÁLISE: Quem é bom aqui? O Comunicador ou o entendedor? Se comunicamos em meias palavras o retorno do outro não pode ser bom. Colocar-se como bom comunicador já diz algo sobre nosso caráter, presunção. A Integridade e clareza das palavras são essenciais na comunicação. Este ditado não ajuda muito.
COTIDIANO: Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão!
ANÁLISE: Com base neste ditado absurdo, onde a justiça é relativa, estamos estabelecendo nossa democracia, justificando no voto os desonestos com a premissa de que roubam entre eles, mas alguns deles realizam. O famoso rouba, mas faz!
RELAÇÕES E SENTIMENTOS: Quem ri por último ri melhor.
ANÁLISE: Vingança como objetivo, mascarada no riso.
A Vida exige
muito mais que fórmulas prontas e aplicáveis em todas as situações, somos
dotados de extraordinária capacidade mental, podemos analisar e aplicar os
melhores pensamentos, tornamo-nos aquilo que pensamos e quando não pensamos,
tornamo-nos aquilo também. Quanto mais entendermos que o sentido da vida seja
fazer sentido à nossa e a outras vidas, mais cuidado com o que expressamos
iremos tomar.
É impossível viver sem ter falhado em alguma coisa. A menos que você viva tão cuidadosamente que não tenha vivido nada. Mas podendo evitar, melhor! A vida é feita de escolhas. Quando você dá um passo para frente, alguma coisa fica para trás. A vida é para beijos profundos, aventuras estranhas, conversas aleatórias e caminhadas sem destino. Só os pensantes sabem viver.
Vida Próspera e
Paz!
Múcio Morais